PROMOT M5: por que as motos baratas estão sumindo das lojas (2026)
A fase M5 do PROMOT (CONAMA 493/2019) vale para toda moto vendida desde 2025: injeção, catalisador e OBD. Lista de descontinuadas, preço e o caso Shineray.
Publicado Atualizado O que mudou
10 min de leituraPor Sergio Arantes

Em julho de 2025, quatro das motos mais baratas do Brasil saíram de linha de uma vez. A Haojue aposentou Chopper Road 150, DK 150, Lindy 125 e VR 150 com uma justificativa rara de aparecer por escrito: "não conformidade com o Promot5" (Motociclismo Online, 25/07/2025).
Se você viu a moto de entrada sumir da vitrine, ou a manchete sobre a Shineray, a dúvida é direta: a regra alcança a sua moto? Não alcança. A fase M5 do PROMOT vale pra homologação e venda de moto nova, não pra frota que já circula. Neste texto eu explico a norma, a lista verificada de descontinuadas, o efeito no preço e o caso Shineray, com as ressalvas que a cobertura costuma pular.
O que se leva
- Desde 01/01/2025, toda moto vendida no Brasil precisa cumprir a fase M5 do PROMOT (Resolução CONAMA 493/2019, nível Euro 5): na prática, injeção eletrônica, catalisador, cânister e OBD.
- Modelos de entrada que não fecharam a conta saíram de linha: 4 Haojue em jul/2025, por "não conformidade" declarada, e as Yamaha MT-09 e Tracer 900 antes disso.
- A sua moto atual não é atingida: a regra vale pra homologação e venda de modelo novo, não pra frota que circula.
- O caso Shineray segue em averiguação preliminar na Senacon, sem decisão. Os laudos que apontam até 18 e 29 vezes os limites são de parte, encomendados pela Abraciclo.

O que é o PROMOT (e o que é a fase M5)
O PROMOT é o programa federal que controla as emissões das motos novas, criado em 2002 pela Resolução CONAMA 297/2002 (CETESB). Ele avança por fases, de M1 a M5. A fase atual, M5, veio na Resolução CONAMA 493/2019 e equivale ao Euro 5 europeu.
As datas explicam a onda de descontinuações. A 493/2019 passou a valer em 01/01/2023 para modelos lançados dali em diante e em 01/01/2025 para todos os modelos vendidos no país (Resolução CONAMA 493/2019, arts. 1º e 2º). A segunda data é o gatilho: desde então, o que não cumpre a M5 não pode mais ser vendido zero km.
Note o que a norma NÃO diz. Ela não manda recolher moto antiga nem proíbe ninguém de circular. Regula o que a fábrica pode homologar e a loja pode vender. Guarde isso, porque é a resposta pra maior ansiedade do assunto.
O que a M5 exige (e por que a moto de entrada encarece)
A M5 fixa três tetos por quilômetro rodado (Resolução 493/2019, anexo). São 1.000 mg de CO, o monóxido de carbono; 68 mg de NMHC, os hidrocarbonetos que saem sem queimar; e 60 mg de NOx, os óxidos de nitrogênio. A moto precisa segurar esses números por até 35.000 km de durabilidade e trazer OBD, o diagnóstico eletrônico a bordo.
Na prática, isso aposenta o carburador na moto nova. Pra ficar dentro dos limites entram injeção eletrônica, catalisador no escapamento e cânister, o filtro de carvão que retém os vapores do tanque. Cada item soma custo de peça, calibração e homologação.

Quanto custa? A imprensa especializada estimou alta de até R$ 1.200 por moto, pela eletrônica embarcada (estimativa citada pela Autoentusiastas, atribuída à consultoria K.LUME; fonte única, sem confirmação da indústria). Numa moto de R$ 13.840, o preço da Lindy 125, esse valor pesa muito mais do que numa big trail de R$ 60 mil.
Por isso Honda e Yamaha sofreram menos: as duas já rodavam com injeção na linha inteira havia anos e diluíram a adequação. O aperto caiu sobre as marcas de entrada, de projeto simples e margem curta. E o mercado em jogo é o maior do país: 2.197.308 motos emplacadas em 2025, alta de 17,1%, acima dos carros, com 1.996.531 (Fenabrave via Autoentusiastas, 17/01/2026).
Motos descontinuadas pelo PROMOT: a lista verificada
A lista com causa declarada ou apurada tem seis modelos: as quatro Haojue, em julho de 2025, e as Yamaha MT-09 e Tracer 900 GT, em dezembro de 2024. O resto do que sumiu do catálogo tem outra explicação, e até a imprensa mistura as duas coisas.
| Modelo | Último preço de tabela | Saiu de linha | Motivo declarado ou apurado |
|---|---|---|---|
| Haojue Chopper Road 150 | R$ 15.627 | jul/2025 | "não conformidade com o Promot5" (Motociclismo Online, 25/07/2025) |
| Haojue DK 150 | R$ 15.594 | jul/2025 | "não conformidade com o Promot5" |
| Haojue Lindy 125 | R$ 13.840 | jul/2025 | "não conformidade com o Promot5" |
| Haojue VR 150 | R$ 15.983 | jul/2025 | "não conformidade com o Promot5" |
| Yamaha MT-09 | não informado | dez/2024 | o motor CP3 "não atender às normas do Promot5" (Motociclismo Online, 23/12/2024; Duas Rodas, 26/12/2024) |
| Yamaha Tracer 900 GT | não informado | dez/2024 | o motor CP3 não atender às normas do Promot5 |
| Yamaha Factor 125, Fazer 150 e Neo | não se aplica | não se aplica | substituição comercial da linha de entrada, não PROMOT (a correção) |
Preços das Haojue: últimos valores de tabela (Autopapo, 28/08/2025); o valor da VR 150 aparece grafado como "VK 125" na tabela da fonte.
A linha da correção merece destaque. Factor 125, Fazer 150 e Neo saíram por renovação comercial da linha de entrada da Yamaha, não por reprovação na M5. Já MT-09 e Tracer 900 GT caíram pela regra: o motor CP3 de três cilindros deixou de "atender às normas do Promot5" (Motociclismo Online, 23/12/2024; Duas Rodas, 26/12/2024).
Nota de contexto, sem misturar as normas: na Europa, o Euro 5+ aposentou nomes como Suzuki SV650, Triumph Thruxton e a Yamaha R1 de rua (Motociclismo Online). Outra regra, outro mercado, mesmo roteiro. Quem não fecha a conta da adequação sai de cena.
Nas vitrines por onde passei neste ano, o efeito é visível: a ala de entrada está mais rala, com menos versão barata e mais cartaz de "últimas unidades" sobre estoque antigo. É a M5 chegando ao varejo.O caso Shineray (com o rigor que falta na cobertura)
Antes de qualquer número, o estado do caso: é uma averiguação preliminar, sem decisão, sem multa e sem recall. Os laudos que circulam são de parte, encomendados pela Abraciclo, a associação que reúne as fabricantes concorrentes. E a Shineray nega as acusações. Manchete que pula essas três ressalvas está contando meia história pra você.
A linha do tempo. A Abraciclo protocolou representação contra a marca (procedimento nº 08084.007033/2025-76). A abertura de averiguação preliminar pela Senacon, secretaria de defesa do consumidor do governo federal, foi noticiada em 13/02/2026 (AutoData). Em julho de 2026, os laudos vieram a público. O do Instituto Mauá apontou 63 de 64 parâmetros acima do limite, com HC até 18 vezes o teto (Itatiaia, 16/07/2026). Um reteste da Marelli mediu CO na casa de 87.000 ppm, cerca de 29 vezes o limite (Autopapo, 12/07/2026). Os dois foram pagos pela Abraciclo: valem como acusação documentada, não como perícia independente.
Segundo a cobertura de julho de 2026, o Ibama informou à Abraciclo não ter localizado os RVEP, os relatórios de emissões da produção. A Shineray, por sua vez, afirma que os modelos têm LCVM concedida, a licença que autoriza a venda, e certificação do órgão.
A defesa está registrada. A Shineray nega irregularidade, afirma que os modelos são certificados e chama a ofensiva de protecionismo. O incômodo dos concorrentes tem tamanho: foram 130,6 mil emplacamentos em 2025, alta de 70%, que puseram a marca em terceiro no ranking geral, atrás só de Honda e Yamaha (AutoData, 13/02/2026).
Até o fechamento (01/09/2026), nada mudou nesse quadro: averiguação em curso, nenhuma conclusão. Se algum recall for publicado um dia, o caminho pra checar a sua moto é o de sempre: como consultar recall de moto pelo chassi.
O que NÃO muda: os 4 mitos
O maior deles primeiro: ninguém vai tirar a sua moto carburada da rua. Os quatro mitos abaixo circulam em grupo de WhatsApp e até em portal grande; cada um cai com a norma na mão.
1. "Moto carburada foi proibida de circular." Falso. A 493/2019 regula homologação, produção e venda de modelo novo. A frota em circulação não é atingida, e a usada segue sendo vendida entre particulares.
2. "O PROMOT é lei nova." O programa existe desde 2002 (CONAMA 297/2002). A M5 foi publicada em 2019, com cinco anos de transição até a exigência total.
3. "Tudo que saiu de linha foi culpa do PROMOT." A lista verificada tem seis modelos. Factor 125, Fazer 150 e Neo, por exemplo, saíram por decisão comercial da Yamaha.
4. "A Shineray foi condenada." Não foi. Há uma averiguação preliminar sem decisão, os laudos publicados são de parte, pagos pela Abraciclo, e a marca nega tudo.
E não misture com a outra regra que apertou em 2026: a resolução do CONTRAN pra ciclomotores e e-motos, que é norma de circulação, com placa e habilitação. Essa outra história está em moto elétrica precisa de placa? A regra que vale em 2026.
O que vem por aí: 2027 e o rumor do M6
O próximo marco com norma publicada tem data: 01/01/2027. Nele, o OBD passa ao estágio M2 em todos os modelos vendidos, com diagnóstico mais completo das falhas de emissões (Resolução 493/2019). Isso está escrito e não é especulação.
O "M6 em 2027" é outra conversa: rumor. Parte da imprensa cita uma futura fase M6, mas não existe resolução publicada criando essa etapa até o fechamento deste texto. Se virar norma, entra no radar aqui embaixo, com número e data.
Perguntas frequentes
O que é o PROMOT M5 e quando entrou em vigor?
É a quinta fase do programa federal de controle de emissões de motos, definida pela Resolução CONAMA 493/2019, no nível do Euro 5. Passou a valer em 01/01/2023 pra modelos novos e em 01/01/2025 pra todos os modelos vendidos no Brasil.
Motos com carburador foram proibidas no Brasil?
De serem vendidas novas, na prática, sim; de circular, não. Os limites da M5 exigem injeção eletrônica e catalisador, o que inviabiliza homologar moto carburada nova. A que já está na rua segue normal.
Minha moto carburada antiga pode continuar circulando?
Pode, sem nenhuma restrição nova. A Resolução 493/2019 regula homologação, produção e venda de modelos novos, não a circulação da frota. Licenciamento em dia e manutenção continuam sendo as únicas exigências do seu caso.
Quais motos saíram de linha por causa do PROMOT?
São seis: quatro Haojue (Chopper Road 150, DK 150, Lindy 125 e VR 150, em jul/2025) e as Yamaha MT-09 e Tracer 900 GT (dez/2024). A Haojue declarou "não conformidade com o Promot5"; na Yamaha, a causa apontada foi o motor CP3 não atender às normas da M5. Factor 125, Fazer 150 e Neo saíram por decisão comercial, não pela regra.
Por que as motos de entrada ficaram mais caras?
Porque injeção, catalisador, cânister e OBD somam custo, e ele pesa mais em moto barata. A imprensa especializada estimou alta de até R$ 1.200 por moto (Autoentusiastas; estimativa de fonte única). Num modelo de R$ 13 mil a R$ 16 mil, é um reajuste sensível.
O que aconteceu com a Shineray?
Ela responde a uma averiguação preliminar na Senacon, noticiada em 13/02/2026 após representação da Abraciclo; não há decisão, multa nem recall (AutoData, 13/02/2026). Laudos encomendados pela Abraciclo apontam emissões até 18 e 29 vezes acima do limite (Itatiaia, 16/07/2026; Autopapo, 12/07/2026). A Shineray nega e alega protecionismo.
A conta que sobra pra você
A moto de entrada nova ficou mais cara e mais escassa; a que você já tem ficou mais valiosa. A resposta racional é cuidar bem dela e conhecer o custo real de rodar. Dois caminhos ajudam nisso. A calculadora de custo por km da moto fecha a conta de combustível, pneu e revisão. E o guia de manutenção pra quem está começando mostra o básico que dá pra fazer em casa, sem ferramenta de oficina. O caso Shineray e o marco de 2027 seguem no radar desta página, com registro datado abaixo. Regra de emissões muda devagar e avisa antes; a ideia é que ela nunca mais te pegue de surpresa.
O que mudou (radar do caso)
- 2026-09-01: publicação. Averiguação preliminar da Senacon (noticiada em 13/02/2026) segue sem decisão, sem multa e sem recall; os laudos publicados em jul/2026 são de parte, encomendados pela Abraciclo, e a Shineray nega as acusações; "M6 em 2027" permanece rumor, sem resolução publicada (verificado em 01/09/2026).