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Pneu de moto: quando trocar de verdade (TWI, calibragem com carga)

Banda nivelada com o TWI, bolha, ressecamento ou DOT com mais de 5 anos: os 4 vereditos de troca do pneu de moto, com calibragem fria semanal e pressão com garupa.

Publicado Atualizado Manutenção

11 min de leituraPor Sergio Arantes

Roda dianteira de moto com freios em close ao ar livre
Foto: Pexels (pexels.com/photo/33523383)

Passe o dedo no sulco do pneu. Se a banda de rodagem nivelou com aquele filete de borracha atravessado no fundo do sulco, a conversa acabou: troca imediata. Esse filete é o TWI, o indicador de desgaste. Quando ele aparece no mesmo nível da banda, o pneu atingiu o limite e perdeu a capacidade de escoar água (Pirelli via Ipiranga, 2025). No molhado, sem sulco pra expulsar água pras laterais, a roda passa a esquiar sobre uma lâmina d'água. Sem direção e sem freio.

A lei confirma o veredito. A Resolução CONTRAN nº 558/80, art. 4º, proíbe circular com desgaste nos indicadores ou com sulco remanescente abaixo de 1,6 mm. Pneu nessa condição é infração grave: R$ 195,23, 5 pontos e retenção até regularizar (art. 230 do CTB). Rodei décadas calibrando pneu em posto de estrada e aprendi o resto na prática: TWI, pressão fria semanal, garupa, idade da borracha. Este guia junta os quatro vereditos num protocolo de 60 segundos. Detalhe do plano maior está no manual de manutenção de quem roda.

O que se leva

  • TWI nivelado com a banda = troca imediata. Localize pela sigla TWI, seta ou logo na lateral.
  • Calibre frio toda semana pelo manual da moto, nunca pelo número gravado no pneu. Na CG 160: 28 a 29 na frente, 33 atrás solo, até 36 com garupa.
  • Bolha, corte, deformação ou ressecamento condenam o pneu mesmo com sulco bom.
  • DOT com mais de 5 anos pede inspeção anual; com 10, aposenta, mesmo com cara de novo. Pneu careca: grave, R$ 195,23 + 5 pontos + retenção.

TWI: o dedo-duro dentro do sulco

TWI significa Tread Wear Indicator, indicador de desgaste da banda. É um filete de borracha disposto transversalmente aos sulcos, em vários pontos da banda (Manual Duas Rodas, 2024). A altura dele marca o limite mínimo de uso. Enquanto a banda roda visivelmente mais alta que o filete, há vida útil. Quando a banda chega no nível do filete, o sulco não escoa mais.

Pra achar o ponto certo, olhe a lateral do pneu. Há marcação com a sigla TWI, uma seta, um triângulo ou o logo do fabricante. Nessa direção, dentro do sulco principal, está o filete (Canaltech, 2026). Repita em todos os sulcos principais, porque o desgaste pode ser irregular: um sulco no limite já condena, mesmo que o vizinho pareça bom.

O teste de 10 segundos: passe o dedo atravessando o sulco. Se você sente a lombadinha bem abaixo da banda, segue o jogo. Se o dedo desliza quase reto, com a lombada no mesmo plano, programa a troca pra essa semana. Sem "só mais um pouquinho". O piloto de testes da Pirelli resume: o sulco que escoa água no molhado já não faz o papel dele nesse ponto, e no seco a aderência foi embora junto.

Um cuidado de honestidade com a lei. Você vai ler por aí dois números diferentes pra moto: 1,0 mm e 1,6 mm. A Resolução 558/80, art. 4º, fixa a proibição nos indicadores ou abaixo de 1,6 mm para veículo automotor, e o TWI do pneu materializa esse limite na prática. Na moto, use o TWI como régua: nivelou, troca. Não discuta milímetro com o guarda; mostre pneu dentro do indicador.

Pneu de moto em close sobre asfalto áspero, com sulcos em destaque
Foto: Pexels
Protocolo de 60 segundos antes de rodar Qualquer NÃO aqui = resolver antes da partida 1. TWI banda acima do filete? 2. LATERAL sem bolha, corte ou lona? 3. DOT menos de 5 anos? 4. PRESSÃO fria da semana ok? TWI nivelado, bolha, DOT vencido ou murcho = não roda
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Os 4 vereditos juntos. Fontes: manuais de fabricante e resoluções citadas no texto.

Calibragem: fria, semanal, pelo manual

Calibragem é o cuidado mais barato e mais ignorado. Pneu murcho aumenta o desgaste nas laterais, esquenta demais e perde estabilidade. Pneu cheio demais concentra o contato no meio, desgasta o centro e reduz a aderência (Sportbay, 2026). Os dois estragam o pneu antes da hora e cobram na frenagem.

A regra tem três partes. Primeira: o número que vale é o do manual da moto ou do adesivo na balança traseira, nunca o gravado no pneu. O número no pneu é o máximo que aquele pneu suporta, não a pressão da sua moto. Segunda: calibre frio. Frio significa moto parada há pelo menos 3 horas ou com menos de 1,6 km rodado. A pressão sobe 2 a 3 PSI rodando por causa do calor, então calibrar quente engana a leitura. Terceira: calibre toda semana, e sempre antes de viagem longa. A perda natural fica entre 1 e 3 PSI por mês mesmo sem furo.

Na CG 160, as medidas são 80/100-18 na frente e 90/90-18 atrás, com pressões usuais de 28 a 30 na dianteira e 33 na traseira solo (Mercado Veículos, 2025). A Titan 160 repete a lógica: 29 na frente e 33 atrás solo, com a traseira subindo com carga (Moura, 2025). Desconfie de calibrador de posto cansado: se dois postos discordam muito, o problema pode ser o manômetro, não o pneu. Um calibrador digital próprio, específico pra moto, se paga em um jogo de pneus.

Minha rotina real: domingo à noite, pneu frio na garagem, confiro os dois com o digital, anoto se precisei completar muito. Se um pneu perde pressão toda semana, tem furo lento ou válvula com problema. Não é pra completar e esquecer; é pra resolver. Essa checagem anda junto com corrente e óleo no plano de revisões.

Com garupa ou carga, a traseira pede mais

Peso extra muda a geometria do contato. Com garupa ou bagagem pesada, a traseira precisa de mais pressão pra manter estabilidade, não deformar a lateral e não gastar antes da hora. Na CG 160, a traseira sai de 33 solo pra até 36 com passageiro; a dianteira fica em 28 a 29. Na Titan, a mesma lógica aparece nos manuais: traseira até 36 com carga. A regra geral pra 160 cc fica em 28 a 30 na frente e 32 a 36 atrás conforme a carga.

Faça assim antes de sair com garupa:

  • Confirme a tabela do seu manual ou do adesivo da balança pro seu modelo e ano exatos.
  • Calibre frio, com a carga ainda fora da moto, pra não se queimar nem errar a leitura.
  • Suba a traseira pro valor de carga cheia. Não suba além do teto do manual.
  • Na volta ao solo, desça de volta. Rodar sozinho com pressão de garupa deixa a traseira dura, quica em imperfeição e gasta o centro.
  • Em viagem com bagagem, repita a checagem a cada parada de combustível nos dois primeiros dias. Bagagem desloca, amarração cede, e a pressão conta essa história.

Se a sua rotina é levar passageiro todo dia, o pneu traseiro vai durar menos que o dianteiro. Isso é normal e entra na conta do custo por km. O anormal é gastar um lado só, gastar o centro com a moto sempre leve, ou gastar as laterais com a moto sempre murcha. Esses são os sintomas da próxima seção.

CG 160: pressão fria por uso (PSI) Confira manual e adesivo da balança do seu ano 28-29 33 até 36 Dianteira Traseira solo Traseira garupa
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Referência usual pra CG 160 (80/100-18 e 90/90-18). Fontes: manuais via Mercado Veículos e Moura, 2025.
Pneu traseiro e escapamento de moto em rua pavimentada
Foto: Pexels

DOT e idade: borracha envelhece parada

Pneu não tem data de validade carimbada como alimento. Mas borracha envelhece mesmo parada: sol, calor, ozônio e tempo ressecam o composto e tiram a aderência (CNN Brasil, 2026). A recomendação da Bridgestone, repetida por engenheiros do setor: inspeção anual por profissional após 5 anos da fabricação e descarte aos 10 anos, mesmo com sulco bonito (Autossegredos, 2026).

A idade mora no DOT, gravado na lateral. Os quatro últimos dígitos indicam semana e ano: 3523 significa 35ª semana de 2023. Leia antes de comprar pneu "novo" em promoção: estoque velho vende barato e entrega borracha já envelhecida. Na moto pequena de uso urbano, um jogo dura até passar de 20 mil km se bem calibrado; no motofrete, com 8 a 12 horas por dia de sol e peso, a traseira pede troca entre 8 e 12 mil km (faixas de mercado, use como referência). Quem roda pouco precisa vigiar o contrário: sulco cheio com 6 anos de DOT é pneu vencido pela idade, não pela quilometragem.

Ressecamento aparece como microfissuras na lateral e entre os sulcos, borracha esbranquiçada e dura ao toque. Moto parada semanas no sol acelera o processo. Capa protetora, sombra e rodar regularmente seguram o envelhecimento, mas não param o relógio do DOT.

Bolha, corte e deformação condenam na hora

Tem defeito que não espera o TWI. Bolha na lateral, corte profundo, rasgo, deformação na carcaça ou lona e arame expostos exigem troca imediata, independente do sulco (Canaltech, 2026). Bolha é a estrutura interna rompida: em alta velocidade, ela vira estouro. Corte que expõe a lona vira entrada de água e separação das camadas. Deformação que faz a moto puxar ou vibrar é carcaça comprometida.

Furo também tem limite. Um reparo bem feito na banda, dentro do especificado, segue o jogo. Múltiplos reparos, furo na lateral ou na curva do ombro, ou remendo que não segura pressão por uma semana, pedem aposentadoria. Na dúvida entre remendar e trocar, o critério é físico: lateral e ombro trabalham flexionando; remendo ali não tem a mesma confiabilidade da banda central.

Nunca complete a lista com gambiarra: pneu de medida diferente do manual, índice de carga ou velocidade abaixo do especificado, ou par misturado com construções incompatíveis. A medida certa (largura, perfil, aro, carga e velocidade) está no manual e no pneu original. Trocar só um pneu é aceitável quando o outro está dentro de todos os vereditos; trocar os dois juntos é melhor quando a idade do DOT é parecida.

Mãos de mecânico examinando pneu de moto ao ar livre
Foto: Pexels

Desgaste irregular: o pneu conta o defeito

O padrão do gasto denuncia a causa. Centro gasto com laterais boas indica excesso de pressão constante ou muita estrada reta com pneu cheio demais. Laterais gastas com centro bom indicam pressão baixa crônica: o pneu "deita" nas bordas e esquenta. Um lado só gasto indica suspensão, alinhamento ou balanceamento: folga, bengala torta, roda empenada ou rolamento. Pontos isolados e escamados indicam balanceamento ou suspensão cansada.

O protocolo: ao ver irregularidade, troque o pneu se ele já está num veredito de condenação e corrija a causa junto. Não adianta montar pneu novo em moto desalinhada, com pressão errada ou com amortecedor vazando. A ficha de revisão da sua moto lista os itens de inspeção por parada; use a próxima parada pra zerar suspensão, rolamento e freios junto com o pneu novo. E se a moto vibra, puxa ou faz ruído novo após buraco forte, a checagem é imediata, não na próxima revisão.

Vida útil típica por uso (km, faixa) Calibragem e carga mandam mais que a marca até 20 mil 8-12 mil Urbano leve Motofrete (traseira)
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Faixas de mercado pra moto pequena; a sua moto confirma no uso. Fonte: guias 2022-2026 (faixa, não tabela).

Pneu careca dá multa e retém a moto

Pneu careca não é só risco; é autuação. O art. 230 do CTB pune conduzir em mau estado de conservação (inciso XVIII) ou com equipamento ineficiente (inciso IX): infração grave, multa de R$ 195,23, 5 pontos na CNH e retenção até regularizar (Zapay, 2025; Doutor Multas). Vale pra qualquer pneu do conjunto em uso. Um só pneu irregular já rende o auto.

Na abordagem, o agente compara o desgaste com o TWI e avalia bolhas, deformações e estado geral. Pneu com bolha visível, lona exposta ou deformação clara não precisa de paquímetro: é mau estado objetivo. Guarde a nota fiscal do pneu novo. Se o auto vier com pneu dentro dos vereditos, a nota com medida e DOT mais fotos do TWI e da lateral ajudam no recurso dentro do prazo (em geral 30 dias).

Roda de moto off-road com barro em close, mostrando desgaste severo
Foto: Pexels

Perguntas frequentes

Como sei que o pneu da moto está careca?

Passe o dedo no sulco principal: se a banda nivelou com o filete do TWI, está careca e a troca é imediata (Manual Duas Rodas, 2024). Bolha, corte, deformação ou lona exposta também condenam, mesmo com sulco.

Onde fica o TWI?

Dentro dos sulcos principais da banda. A posição vem marcada na lateral com a sigla TWI, seta, triângulo ou logo do fabricante (Canaltech, 2026). Cheque todos os sulcos, não só o central.

Qual a calibragem com garupa na CG 160?

Como referência usual: 28 a 29 na dianteira, 33 na traseira solo e até 36 na traseira com garupa, sempre frio (Mercado Veículos, 2025). Confirme no manual e no adesivo da balança do seu ano, porque o valor exato varia.

Pneu com bolha precisa trocar mesmo com sulco bom?

Sim, na hora. Bolha é rompimento interno da estrutura, com risco de estouro em velocidade. Corte profundo, deformação e lona exposta seguem a mesma regra, independente do TWI.

Pneu de moto tem validade?

A lei não fixa data, mas a borracha envelhece. Leia o DOT na lateral (semana+ano) e siga a recomendação técnica: inspeção anual após 5 anos e descarte aos 10, mesmo com sulco (CNN Brasil, 2026; Autossegredos, 2026).

Pneu careca dá multa? Quanto?

Sim. Infração grave pelo art. 230 (mau estado/equipamento ineficiente): R$ 195,23, 5 pontos e retenção até regularizar. Um pneu irregular já basta pro auto.

Já tenho CNH B e vou de moto: o pneu do passageiro muda algo?

A moto é uma só, mas o peso muda tudo: com garupa, suba a traseira pro valor de carga do manual e revise a amarração. O protocolo dos 4 vereditos vale antes de levar alguém.

Fechou o diagnóstico? Feche a rotina

O caminho cabe em quatro checagens: TWI acima do filete, lateral sem bolha nem corte, DOT com menos de 5 anos sem ressecamento, pressão fria da semana no número do manual. Deu NÃO em qualquer uma, resolve antes de rodar. Pneu não avisa duas vezes: ele avisa no TWI, na bolha, no DOT e no manômetro.

O próximo passo é a compra certa pro seu uso: o guia de pneu por uso, urbano, misto e viagem entra na fila em D27. E antes de pegar estrada, rode o checklist de revisão pré-viagem com o pneu já resolvido.

O que mudou (changelog)

  • 2026-09-07: publicação. Res. CONTRAN 558/80 art. 4º e art. 230 do CTB conferidos via fontes secundárias com texto legal citado; pressões CG 160 como referência de manual via fontes 2025 (conferir manual do ano); DOT 5/10 anos como recomendação Bridgestone, não lei.