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O kit do entregador: o que aguenta 10 horas por dia (e o que a moto cobra por isso)

O kit de quem vive da moto: o que comprar primeiro, o que olhar a cada turno e quanto a moto cobra por km no ritmo de 3.000 km por mês.

Publicado Atualizado Equipamento

9 min de leituraPor Sergio Arantes

Entregador de aplicativo com mochila térmica nas costas acelera por uma avenida urbana
Foto: Francisco Ferreira/Pexels

A lista de "equipamentos essenciais para entregador" que circula por aí é vitrine de loja. Ela mostra o baú, a mochila e o suporte de celular. O que ela não mostra é a conta. Quanto a jornada de dez horas acelera o desgaste, e quanto sobra por km depois de a moto cobrar a parte dela.

Este guia organiza o que esta casa já mediu e publicou, com fonte e data em cada linha. Não é veredito de teste de longa duração: veredito exige quilometragem declarada, e isso vem nos próximos meses.

O que se leva: quem roda 8 a 12 horas por dia comprime todos os intervalos de manutenção. A parada de 6.000 km, que o comum encontra em meses, vence em poucas semanas de aplicativo. O kit começa pelo que a lei manda e a evidência sustenta: capacete certificado e luvas. Só depois entra o que faz o trabalho render. No ritmo de 3.000 km por mês, a moto custa cerca de R$ 0,38 por km. O pneu dura 8 a 12 mil km, não 18 a 20 mil. De um repasse de R$ 1,50 por km, sobra cerca de R$ 1,12, antes de imposto, taxa e do seu tempo.

A resposta direta: o que entra no kit, em que ordem

A ordem do kit não é a da loja. Primeiro vem o que a lei exige e a evidência sustenta. Depois, o que faz o serviço render. Por último, o conforto.

Essa fila tem um motivo simples. Capacete e luvas protegem o seu corpo numa queda, e você usa os dois em todo turno. Baú e capa de chuva mudam quanto você entrega e em que condição. Os dois grupos custam parecido; o que muda é o que está em risco.

CamadaO que entraCritério de escolhaPor que nessa posição
SegurançaCapacete certificado e afivelado, viseira ou óculos de proteçãoSelo de certificação, cinta jugular travada, viseira sem películaÉ o único item que a lei exige (CTB, art. 54)
SegurançaLuvasPalma reforçada, fechamento no punhoMaior ganho medido por real gasto (de Rome, 2011)
TrabalhoBaú ou bagageiro, capa de chuvaFixação por parafuso no bagageiro, vedação real na chuvaDecide quanto e como você entrega
TrabalhoSuporte de celularAmortecimento da vibração do guidãoO aplicativo é a ferramenta de trabalho
BordoCalibrador, spray de corrente, panoCalibrador próprio, spray seguro para retentorEvita o dia parado na oficina
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A fila de compra completa desta casa, com capacete, luvas, jaqueta, botas e calça, está no guia de equipamento. Do segundo item em diante, a ordem é opinião desta casa. Nenhuma regra manda comprar nessa sequência.

A jornada de 10 horas comprime a mecânica

Rodar 8 a 12 horas por dia faz a quilometragem de revisão chegar três a quatro vezes mais rápido. A parada de 6.000 km, que o usuário comum encontra em meses, pode vencer em poucas semanas de aplicativo.

O manual da sua moto já prevê isso. Quem roda em terra, poeira, chuva diária ou sempre com carga tem uma régua própria, a de uso severo, com intervalos encurtados. Procure essa seção antes de seguir o calendário padrão.

Tem outra conta que pega o entregador de lado. Peça de desgaste fica fora do plano de revisão pago: pneu, pastilha, relação e bateria correm por fora, direto do seu bolso. São as peças que a jornada come mais rápido.

O pneu mostra bem o tamanho dessa diferença. No uso normal, um par dura 18 a 20 mil km. No motofrete, a mesma faixa de mercado entrega 8 a 12 mil km.

A jornada corta a vida do pneu pela metade Par de pneus na CG 160, faixas de mercado de 2026 uso normal commuter 18 a 20 mil km R$ 0,03 motofrete 10 h por dia 8 a 12 mil km R$ 0,06 Vida útil do par (barra) e custo por km rodado (à direita)
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Faixas de vida útil e de preço coletadas em 2026 na conta de custo por km desta casa. O par custa entre R$ 350 e R$ 830; o cálculo usa o meio da faixa.

Foram 11.579 notificações de acidentes de trabalho de motofretistas em 2025, contra 9.987 em 2024 e 8.582 em 2023, alta de 34,9% no período (Sinan/MPT, 2026). Esses dados não dizem quantas ocorrências têm relação com a condição mecânica das motos, e eu não vou inventar esse nexo. O que eles dizem é que a categoria virou risco de saúde pública.

A régua completa por peça, com os intervalos de cada parada, está no manual de manutenção de quem roda.

O kit de segurança: o que não é negociável

Só um item do kit é obrigatório por lei: capacete certificado, afivelado pela cinta jugular, com viseira ou óculos de proteção (CTB, art. 54; Resolução CONTRAN 940/2022). Rodar sem ele é infração gravíssima, com multa e suspensão da CNH (art. 244, I).

Entre os que a lei não exige, as luvas vêm primeiro na fila desta casa. O motivo é medido: luvas cortam o risco de hospitalização em 59% numa amostra de motociclistas acidentados (de Rome, 2011). É o maior retorno por real gasto que a evidência mostra.

A penalidade de cada item e os números do capacete estão na matriz legal do equipamento. Não vou repetir aqui o que já está lá com fonte.

Quem trabalha na moto tem uma camada extra de regra. Serviço remunerado tem exigência própria de equipamento, incluindo colete refletivo, e isso está no guia do mototáxi por app.

O kit de trabalho: baú, capa de chuva e suporte

Aqui esta casa ainda não tem número medido, e prefiro dizer isso a repetir promessa de fabricante. O que dá para afirmar hoje é o critério de escolha e o que a jornada cobra de cada peça.

Comece pelo baú. A fixação é o que importa: preso ao bagageiro por parafuso, ele aguenta o tranco da rua, e elástico com fita não é fixação. Carga também muda a moto. Na CG 160, a pressão do pneu traseiro sai de 200 para 225 kPa conforme o peso (manual do proprietário, 2019). Baú cheio pede o valor de cima.

Entregador para no trânsito com um baú rígido parafusado no bagageiro de uma CG

Na capa de chuva, olhe a vedação. A de emergência rasga na terceira dobra, e chuva diária ainda encurta o intervalo da corrente, como mostra a rotina abaixo.

No suporte de celular, o inimigo é a vibração do guidão. A câmera sente primeiro. Esse assunto tem página própria a caminho.

Os preços destas peças estão em coleta e entram aqui na próxima atualização, com data. Prefiro a lacuna declarada ao número inventado.

O kit de bordo do turno (e a rotina que cabe no dia)

São dois minutos com a moto ainda fria, antes de ligar. Leva menos tempo do que uma corrida curta e evita o dia parado na oficina.

QuandoO que olharReferência
Antes do turnoPressão dos dois pneus, com pneu frioVerificar ao menos uma vez por mês, com a moto parada há 3 horas (NHTSA)
Antes do turnoAlvo da CG 160: 175 kPa na dianteira, 200 a 225 kPa na traseira conforme cargaManual do proprietário, 2019
A cada 250 a 350 kmFolga da correnteFaixa para uso intenso (Suhai, 13/11/2025)
A cada 500 a 1.000 km, ou toda semanaLimpar e lubrificar a corrente, encurtando na chuva e na terraMotul, 2026
A cada parada de manualÓleo e filtro, com o intervalo comprimido pela jornadaManual, seção de uso severo

Duas ressalvas sobre a corrente. Use spray próprio para corrente com retentor: para essa tarefa, a própria WD-40 indica o produto específico, não o multiuso. E, no uso de entrega, fique no piso da faixa de ajuste, os 250 km, não no teto.

Close da corrente, da coroa e do esticador na balança traseira de uma moto

O passo a passo de cada tarefa está nos guias dedicados: corrente, troca de óleo e o kit de ferramentas mínimo para fazer isso em casa.

Bateria fica fora deste guia de propósito. Ela tem página própria, com duração e o que mata uma bateria antes da hora.

A conta do mês: o que a moto cobra de quem roda 3.000 km

No ritmo de motofrete, 3.000 km por mês, a CG 160 sai por cerca de R$ 0,38 por quilômetro. Quem roda 1.000 km paga cerca de R$ 0,52. Rodar mais baixa o custo por km, porque o custo fixo se dilui em mais quilômetros.

O pneu, como já vimos, é a peça que mais sente a jornada: o custo dobra de R$ 0,03 para cerca de R$ 0,06 por km. Mesmo assim, quem roda 3.000 km paga menos por quilômetro do que quem roda mil. As faixas de preço saem da conta completa do custo por km.

Agora a pergunta que todo entregador faz: quanto sobra. O iFood declara remuneração média de R$ 29 por hora ativa, dado da própria empresa referente a 2025. Na medição independente, a PNAD Contínua do IBGE encontrou rendimento médio de R$ 2.340 por mês entre os 274 mil entregadores por aplicativo. A jornada média foi de 46,4 horas semanais no terceiro trimestre de 2024 (Agência IBGE).

O componente de distância pago pelo iFood gira em torno de R$ 1,50 por km, valor de reportagem de 2021 atualizada em 2024. Confirme o número vigente no seu app antes de fechar a conta.

De R$ 1,50 por km, o que sobra (estimativa) Perfil motofrete: 3.000 km por mês, CG 160 em São Paulo R$ 0,38 custo da moto a moto cobra R$ 1,12 antes de imposto, taxa e do seu tempo sobra bruta
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Custo da moto pela fórmula da calculadora desta casa, com pneu de vida curta do motofrete. Repasse de distância em torno de R$ 1,50 por km (reportagem de 2021 atualizada em 2024); confirme o vigente no seu app.

De um repasse de R$ 1,50 por km, a moto consome cerca de um quarto. Sobram R$ 1,12 por km, antes de imposto, taxa de aplicativo e do valor do seu tempo. Esse "antes" pesa: imposto, taxa e as horas que você não fatura saem todos desse R$ 1,12.

Rode a conta com o seu número na calculadora de custo por km. Ela abre com a CG 160 em São Paulo e aceita o seu km por mês, o seu preço de gasolina e a sua vida de pneu.

O que fica de fora do kit

Marca e modelo ficam de fora. Esta casa não tem base para recomendar um baú, uma capa de chuva ou um suporte específico hoje. Veredito exige quilometragem declarada, e o que tenho até aqui é critério.

Selo de "melhor compra" também fica de fora, porque a coleta de preços está em aberto.

E o acessório que resolve um problema que a jornada não tem. Antes de comprar o terceiro suporte, veja se a corrente está no ponto e o pneu na pressão, porque é aí que o dia para.

Perguntas frequentes

O que um entregador de aplicativo precisa ter na moto?

Por lei, capacete certificado e afivelado, com viseira ou óculos de proteção (CTB, art. 54). Por evidência, luvas em seguida. Depois, o kit de trabalho por função: baú com fixação por parafuso, capa de chuva com vedação real e suporte de celular que aguente a vibração do guidão.

Quanto custa manter uma moto de entrega por mês?

No ritmo de 3.000 km por mês, cerca de R$ 0,38 por km numa CG 160 em São Paulo, o que dá aproximadamente R$ 1.140 no mês. A conta inclui combustível, pneu com vida curta de motofrete, revisão, seguro, licenciamento e depreciação.

Baú ou mochila: o que vale mais para entrega?

O critério é fixação e carga, não marca. Baú preso ao bagageiro por parafuso tira o peso das suas costas e não muda de lugar na freada. Em troca, exige atenção à pressão do pneu traseiro, que sobe de 200 para 225 kPa conforme a carga na CG 160.

De quanto em quanto tempo o entregador precisa revisar a moto?

Comprima os intervalos do manual em três a quatro vezes em relação ao uso comum, e siga a seção de uso severo. Na prática, a parada de 6.000 km pode chegar em poucas semanas de aplicativo.

Quanto sobra de verdade entregando de moto?

De um repasse de distância em torno de R$ 1,50 por km, a moto consome cerca de R$ 0,38. Sobram aproximadamente R$ 1,12 por km, antes de imposto, taxa de aplicativo e do valor do seu tempo.

O que fazer antes do próximo turno

Cada dia de oficina é dinheiro que não entra. Adiar a preventiva pra não perder uma diária costuma sair mais caro do que a peça que você deixou de trocar.

A vistoria de dois minutos, amanhã, antes de ligar a moto:

  1. Calibre o pneu dianteiro com a moto fria, parada há pelo menos 3 horas. Na CG 160, o alvo é 175 kPa.
  2. Calibre o traseiro conforme a carga do dia: 200 kPa vazio, 225 kPa com baú cheio.
  3. Olhe a folga da corrente e ajuste antes de sair, se estiver fora. No motofrete isso volta a cada 250 km.

Depois abra a calculadora com os seus números e veja quanto a sua moto cobra por km. Sem esse número você sabe quanto faturou, mas não quanto ganhou.

Se você está entrando agora na categoria, o custo da habilitação e o planejamento inicial estão no guia da CNH A sem autoescola.

Guia atualizado em

03/09/2026. Os preços do kit de trabalho e o teste de longa duração das peças entram nas próximas atualizações, com data e quilometragem declaradas.